segunda-feira, 23 de junho de 2014

Do

Acho coisa triste o moralismo
essa tentativa pomposa
de disfarçar a falta de caráter
humano

antes eu tinha certeza
depois eu achava
agora eu desconfio.

É petulância demais andar sobre um globo
e achar que se chega a algum lugar

quarta-feira, 18 de junho de 2014

UTOPIA

se eu pudesse
só uma vez ser salvação,
eu salvaria todos os solitários do mundo
da solidão.
porque lhe afirmo, amor
há dor pior que esta não.

Ah, se eu pudesse,
ser um abraço quentinho
que acolhe o mundo todo.

Sou não.
Sou mão.
que tenta tatear o amor.

o Amor me morde,
ele,
que é feito de dentes.

sábado, 8 de março de 2014

Não precisamos ser

Não precisamos ser
 comunistas,
fascistas,
 da direita,
da esquerda,
machistas,
feministas,
católicos,
ateus,
espíritas,
protestantes,
hinduístas,
políticos,
apolíticos,
ricos,
pobres,
anarquistas,
ativistas,
donos de ongs,
politicamente corretos,
simpáticos,
espertos,
populares,
antipáticos,
lentos,
excluídos,
amantes das artes,
intelectuais,
conscientizados,
dotados de dons,


só precisamos
ser bons.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Justificativa.

Escrevo,
para alimentar minha alma
escrevo
senão a palavra vibrante em mim
me mata

Vivo,
pois coisas bonitas me motivam a viver
vivo
apesar da angústia infinita
de existir e de ser

Não quero ser mãe
mas preciso ser vó
fazer tachos de doce
achar de extrema relevância
os forrinhos de mesa

não pretendo gerar em mim
mas quero gerar para os outros,
amor como golinhos de mel.

Amo tanto que dói.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Algumas promessas anuais

Não quero rendar-me nessas linhas, quero prometer como quem assina contrato.
Neste ano anseio ser: pragmática, objetiva, simples e necessária. Renego meu excesso de mesuras e complicações para trilhar caminhos mais amplos, mais belos, mais claros.
Comprometo-me a cultivar com amor sincero todos os seres incríveis que iluminaram meu ano anterior, e devolver-lhes tudo o que me proporcionaram. Derramar gratidão sobre a vida, que me tem sido tão gentil, e assim descobrir mais belos frutos nela.
Vou, aos poucos, lixar meus medos e inseguranças homéricos, e assim, voar muito mais alto.
Quero alimentar tudo que há e bom em mim, e deixar morrer o mau.
Quero trilhar o desconhecido engrandecedor, pisar em incríveis terrenos desconhecidos. Aprender a sentir dor, aceitá-la como indispensável.
Derrubar de uma vez por todas as primeiras impressões, surpreender-me com o verdadeiro em cada nova pessoa. Descobrir novos universos contidos nelas.
Serei muito mais para os outros, e muito menos para mim.

sobre a grande lição que deixou 2013


Pra ser bonito tem que doer.