O sol pega o trem azul, você na cabeça.
Às vezes ansiava sentar na lua e observar a eternidade silenciosa e escura, comendo talvez um chocolate, ouvindo quem sabe uma boa música. Sendo rascunho, queria também ter o poder de rascunhar as pessoas escritas. Ou de apenas se transportar para um momento bom, aonde houvesse um som de viola dedilhada, uma brisa com cheiro de mato, águas que refletissem a luz do sol. Gostava de mochilas, de chaveiros coloridos e de carregar sentidos nos mesmos. O em formato de coração era macio, para lembra-la de acreditar, havia um de pedrinhas coloridas que dava vontade de sorrir, e o de desenhos egípcios, era para lembra-la dos mistérios da vida. Pensava numa estrada de chão, dois pares de all-star completamente imundos da terra vermelha, de dois corações que não se contaminavam com as imundices do mundo. Ela achava engraçado a palavra “imundice” parecer descender de “mundo” e a ideia de que o dedo apontador é aquele que “aponta dor”, como diz o seu nome. Ele achava engraçado ela achar graça nessas coisas. A estrada de chão dava numa bica de água gelada e cristalina. Ela tirava o tênis, fazia festa na água. Dizia: “minha filha vai chamar Lillo, com dois “eles” pra parecer que Lillo é nome de gente, coisa que não é. Mas é tão bonito.”
Ele ria, que é tudo que tem para se fazer nessa vida. Rir.
Ela parecia trazer na alma todo amor, todas as dores insuportáveis, o canto de todos os pássaros, os antídotos para as más disposições e todas as lágrimas salgadas do mundo.

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