sexta-feira, 25 de julho de 2014

Fá!

Hoje, tudo o que eu queria era um texto de linhas bonitas. Olhei a tela, ouvi músicas, fritei batatas, pensei em tanta gente... A sensação indefinida que tenho tido, e que oscila indo e vindo em intervalos desconexos, voltou. É uma vontade. Ela vibra, como se formasse um grito dentro de mim e não sai. Não sei bem do que é: tenho vontade de pisar em grama e terra, tomar chuva, pegar filhotes, comer cerejas, sentir alguém respirar. Que alguma mão segure na minha e me obrigue a ficar. Piso Divinópolis como quem pisa o céu. Há um lugarzinho no bairro: quando ando minha rua, quase seis da tarde, o céu desdobra-se em várias cores. O cheiro de janta vem de uma casa, um cachorro late, piso algumas goiabas caídas do pé, o cheiro delas confunde-se com o de janta e de fim de tarde. Tudo isso me desperta uma ânsia enorme. Quero gente, quero Deus, quero colo, quero descobrir o grande motivo. O que mata é a vontade: seja da carne, seja da alma. Ela não passa, é uma fome faminta. Algo nasce dentro de mim, e demora a tomar forma. Sinto dores de parto, vontade de gritar, de rezar, de beijar, de ser, de estar. Eu sei que vou explodir. Temo por quem estará próximo. 

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