E de repente instaurou-se entre nós um comodismo até
simpático, enquanto fingimos ler, aprender, entender. O mundo dos completamente
cegos e dos ignorantemente esclarecidos, que ao invés de tentar fazer algo
estão sempre apontando para os primeiros com a acidez de suas ironias,
desfrutando a estupidez de sua “superioridade”.
Se no Iluminismo a filosofia de um sonhado novo tempo era
popularizada para ser divulgada em folhetos de forma a lançar as luzes em todas
as trevas, hoje, anseia-se o saber para ser “O Ser”. Aquele que detêm o
conhecimento, que em seu individualismo conseguirá tornar-se alguém.
Desfrutando principalmente da suprema parte desta história de saber, é claro:
criticar, julgar, apontar. Sem mover uma palha sequer contra tudo aquilo que
seu discurso argumentativo bem elaborado e inflamado critica.
Entramos assim na era da cegueira, de intelectuais
acomodados, de mentes limitadas por acadêmicas razões absolutas. Vidas com
objetivos vagos, relativos, mal fundamentados. Impostos. Apontadores e
apontados. Criticadores e criticados.
Mortos-vivos. Sociedade que de tão movimentada, tornou-se
estática.
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