quarta-feira, 11 de julho de 2012

Só uma pequena dose de indignação e preocupação.


E de repente instaurou-se entre nós um comodismo até simpático, enquanto fingimos ler, aprender, entender. O mundo dos completamente cegos e dos ignorantemente esclarecidos, que ao invés de tentar fazer algo estão sempre apontando para os primeiros com a acidez de suas ironias, desfrutando a estupidez de sua “superioridade”.

Se no Iluminismo a filosofia de um sonhado novo tempo era popularizada para ser divulgada em folhetos de forma a lançar as luzes em todas as trevas, hoje, anseia-se o saber para ser “O Ser”. Aquele que detêm o conhecimento, que em seu individualismo conseguirá tornar-se alguém. Desfrutando principalmente da suprema parte desta história de saber, é claro: criticar, julgar, apontar. Sem mover uma palha sequer contra tudo aquilo que seu discurso argumentativo bem elaborado e inflamado critica.
Entramos assim na era da cegueira, de intelectuais acomodados, de mentes limitadas por acadêmicas razões absolutas. Vidas com objetivos vagos, relativos, mal fundamentados. Impostos. Apontadores e apontados. Criticadores e criticados.

Mortos-vivos. Sociedade que de tão movimentada, tornou-se estática. 

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